O Artifício da Encenação

Um anúncio no jornal. Procura-se mulheres cariocas que tenham uma boa história para contar. Foi daí que saiu o mais novo documentário de Eduardo Coutinho, cineasta paulista de 74 anos responsável por, entre outros, Cabra marcado para morrer, Babilônia 2000 e Santo Forte.

Durante os 90 minutos de Jogo de Cena, Coutinho filma mulheres do Rio de Janeiro diante da câmera, contando histórias de sua vida. Estas imagens são intercaladas com as de atrizes profissionais representando aquilo que ouviram Algumas são conhecidas, outras não. Resultado: em determinado momento do longa, o espectador não consegue mais distinguir quem está lembrando e quem está interpretando o que já foi dito.

As histórias todas são fortes, e características do universo feminino. A mãe que perdeu o filho quando a relação dos dois estava passando por um de seus melhores momentos, a jovem que viu seu bebê morrer poucas horas depois do parto, a mulher que presencia pela primeira vez um ritual de candomblé para poder engravidar. O surpreendente, no entanto, está no Jogo de Cena que se cria a partir daí. A brincadeira é ainda mais valiosa em se tratando de um documentarista que questiona aí um dos princípios-chave da sua profissião: a busca pela verdade, e o artíficio da encenação.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s