Espiadinha

Nesta terça-feira, dia 9, começa mais uma edição do programa mais visto (e mais odiado) do país: o Big Brother Brasil 8. Os intelectuais praticamente escurraçam o pobre do Pedro Bial e acusam a atração de emburrecer o povo brasileiro. Fato é, no entanto, que, para chegar à oitava edição, é porque o reality show fez sucesso, e não só com o povão.

Para falar a verdade, eu não sou muito fã do BBB, mas isto porque eu trabalho em um site de televisão e, quando janeiro chega, repórteres da área tremem só de pensar nas noites de plantão por causa do paredão, da indicação do líder, da casa, das edições ao vivo, etc, etc… Mas, se não fosse por isso, não me incomodaria de assistir. Isto porque, depois de alguns anos do programa, a coisa ultrapassou o mero bate-boca de meninas bonitinhas e homens sarados para se transformar em um grande teatro: a interpretação da interpretação.

Explico: na vida social, cada indivíduo constrói seu próprio personagem, certo? Não sai de casa sem ele, usa a máscara em qualquer lugar, geralmente não gosta que alguém veja o que há por trás dela. No BBB 8, este personagem se revelou insuficiente para conquistar a simpatia do público e sair do jogo com um milhão de reais, que se revelou, mais do que os quinze minutos de fama, o verdadeiro obetivo da corrida de três meses de confinamento.

Foi ao patamar psicológico do jogo, o da interpretação de seu próprio personagem, que elevou Diego Gásquez ao trono do último programa. Escolheu, racionalmente, o que havia de melhor em sua figura fora da casa (não era a fortuna de seus pais nem os cabelos loiros), transformou em carisma, ressaltou algumas qualidades, escondeu outros defeitos (mas não de todo, para continuar humano), e inventou algumas características para tornar tudo mais interessante. Como resultado disso, se apresentou para o Brasil como o garotão comum, aquele que podia ser seu vizinho ou o amigo do seu filho. Gostava de pegar a mulherada nas baladas, mas quando se deparou com uma garota que era seu oposto, uma caipira inocente do interior de Minas, se derreteu todo.

Ele enganou a todos, tenho certeza. Mas isso não é o que realmente importa. O Big Brother Brasil é um jogo que, através dos anos e dos conhecimentos que os jogadores foram adquirindo de suas estruturas, conseguiu criar uma narrativa própria. Um reality show que se reinventa e a seus próprios jogadores.

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3 Respostas para “Espiadinha

  1. Até aí tudo lindo..Mas eu odeio o programa por uma razão muito simples: ele é chato de assistir. É sério, eu já tentei, mas não consigo ver graça em assistir a algumas pessoas conversando assuntos desinteressantes para mim. Ou então brigando, nunca entendi por quê dá tanto ibope, tem coisa mais chata que um monte de gente que você nem conhece brigando na tv? Até aí tudo bem, o programa é chato, e eu não assisto. O que mais me irrita sobre o BBB é como a Globo te obriga a assistir. Você pode estar vendo qualquer coisa, a qualquer horário, e aparece um repórter falando do BBB, perguntando a outros “populares” qual o candidato favorito… Isso de empurrar o programa a todo custo, de modo que ou você DEVE saber sobre o programa, ou não vê TV, que eu não suporto… É chato, eu não assisto… Mas a Globo obriga.

  2. Pô, minha querida!Seus textos estão cada vez melhores. Você consegue se superar… Sério!Quando você tiver a aula sobre Hamlet, com o querido Caio Túlio, você lembrará muito bem o que você escreveu aqui: a vida se tornou a representação da representação. E o BBB é a prova viva disto. O público sabe que aquilo é encenação, os produtores sabem, os jogadores sabem, mas todo mundo assiste e fica feliz (ou não!).Você já reparou que quem mais critica são aqueles que mais sabem o que está acontecendo lá dentro da casa?Isso é bizarro, daria uma bela de uma monografia de Conclusão de Curso ou de Iniciação Científica. Seria muito interessante fazer uma análise sobre a recepção do BBB e os ruídos que aocntecem nesse louco caminho de transmissão!Para finalizar, só queria dizer algo: o Pedro Bial pode ser tudo, menos pobre. Ele é muito mal jornalista e pior ainda como apresentador.Ele é chato e medíocre, com brincadeiras cretinas…Sério!Mas respeito a tua opinião, minha cara colega de profissão.Beijos e mais uma vez: Parabéns pelo texto.:)

  3. O que mais me irrita é o público opinando com comentários do tipo “Ai, aquele cara fica jogando, combinando voto,… “, como se todos não estivessem jogando, cada um a seu modo. E como se esse não fosse o objetivo. É tudo uma grande novela, que o público se envolve de tal forma e com tal moralismo distorcido e de faixada que enche o saco. E fica um tal maniqueísmo ao extremo, o time dos bons contra os maus… me extressa…Bom mesmo era o primeiro Casa dos Artístas… hahahaha. bjos.

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