Single in the City

Nunca acreditei no ideal de amor romântico. Aquela história toda de príncipe encantado que chega em cavalo branco me pareceu suspeita desde a primeira vez em que ouvi, quando a princesa ainda se chamava Cinderella.

O motivo é bem pragmático: não existe nada no amor romântico que não possa se ter em qualquer outra relação. Ao menos entre duas pessoas com um mínimo de honestidade. Confiança cega e indiscutível no outro, vontade de estar perto muitas horas por dia, disposição para pegar o telefone em uma sexta-feira à noite e convidar para jantar. Faço tudo isso com meus amigos. E ninguém me ouve melhor do que eles.

Por isso namoro não faz muito sentido pra mim. Pelo menos por enquanto. É sexo? Ótimo, maravilhoso. Uma das melhores coisas da vida, aliás. Mas quem disse que a mesma pessoa que te fode vai ter paciência pra te ouvir na tarde de domingo? Ou vice-versa, nunca se sabe. E quem disse que ela precisa ter?

O que me incomoda nessa história toda é a necessidade de exclusividade. A mocinha sonha com o mocinho, porque com ele poderá passar o resto de seus dias. Ou pelo menos o resto dos dias daquele mês. Vai ligar para ele no máximo a cada dois dias e dar satisfação do que fez neste tempo. Caso contrário, o mocinho pode ficar chateado e ninguém quer isso. Então no final de semana aquela mesma mocinha pega na mão do mesmo mocinho e vai ao cinema. Depois, os dois mesmos malditos mocinhos vão jantar, vão para a casa dele, gozam (não foi, de longe, a melhor da vida deles) e dormem, abraçados e felizes porque estão muito bem amarrados.

Se ela gosta de ir para a balada, mas ele é mais caseiro, ela abre mão das noitadas. Em compensação, ele não sai mais para jogar sinuca. Ela não gosta muito do ambiente do bar. A atitude de uma pessoa um tiquinho racional seria passar a mão no telefone e ligar para aquela amiga que adora tomar umas e outras. Mas isso é feio, Vanessa, nem pense em uma coisa dessas.

Cada vez mais, acho que eu não nasci para a monogamia. Nos últimos tempos, comecei a pensar que não nasci sequer para um relacionamento fixo. Tenho o amigo ideal para cada tipo de programa. Aqueles com quem vou ao cinema, à exposição, ao festival de teatro – e inclusive aqueles com quem posso ir a qualquer lugar, nem que o grande passeio seja assistir seriado e conversar até dormir no chão do quarto dela depois de uma semana cansada. Não crio laços com uma pessoa porque teria de afrouxar os que construí com todas as outras.

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