Panfleto

Há uns cinco anos, um amigo me apresentou um texto de um dramaturgo conhecido (e jovem) sobre por quê ele fazia teatro. Cada linha começava com “Nós fazemos teatro porque”. Quase um manifesto. A primeira atuitude de qualquer adolescente frente a qualquer manifesto bem escrito é idolatrar o cara. Anos depois, algumas peças terríveis dele nesse interim e hoje acho besteira explicar porque se faz arte.

Ninguém deve satisfação aos outros, quanto mais por causa de algo tão subjetivo. Mas eu devo satisfação a mim mesma. E este blog é meu alter-ego virtual. Um jeito de me maquiar para o mundo, mas, mesmo assim, encontrar minha imagem refletida nele. Por isso, aqui vai o meu manifesto.

Eu escrevo porque.
Uma imagem nunca terá a sutileza e a inteligência de mil boas palavras.
É minha profissão.
É minha terapia.
Estou sozinha aqui dentro de mim.
A vida pode ser bem solitária se vivida.
De madrugada os contornos da minha vida se tornam mais claros.
Não tenho mais idade para fazer queridos diários.
Ficção é uma maneira intensa e revigorante de fugir da realidade.
Não posso atuar.
Não sei mais atuar.
Não tenho nada para dizer que já não tenha sido dito.
Não é aquilo que se diz, mas o modo como se diz.
Atingir o preciosismo em cada uma das palavras é um objetivo de vida.
Garantia de imortalidade.

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