Uma interrogação e algumas reticências

Eu conto histórias. É esse o meu ofício. Não sou jornalista, se eu enxergar apenas o sentido concreto da palavra. Porque um contador de histórias conta aquilo que escolhe contar. Um jornalista não. Ele atende as necessidades e as exigências de quem ouve. 

É ser artista demais? Talvez. Mas eu conto histórias. Eventualmente terei que passar por um ou dois parágrafos de enrolação, uma ou duas frases que não me agradam, um ou dois pontos finais que poderiam ser substituídos por vírgulas. O importante é não deixar que estas pequenas burocracias cotidianas atrapalhem the big picture. Que embacem a foto maior, o panorama geral daquilo que eu quero contar.
Profissões e assinaturas na carteira de trabalho são formalidades. Nunca me dei bem com formalidades. Gostaria de pedir para assinar a atividade: contadora.
Currículo: histórias em geral, especialista em personagens excêntricos, trabalha em livros que não vão dar certo. Tem boas descrições, fez curso de narração na Universidade García Márquez, e um intensivo em futilidades literárias com Candance Bushnell. Aptidão – sabe desenhar uma janela com palavras.
Estou apaixonada pelo meu ofício ou pelo meu trabalho? Depende de qual é o meu ofício. Eu sei contar histórias.
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