Pessoa Física

Do outro lado da rua, debruçada em seu táxi, uma criatura gorda, 140 quilos, cabelos cacheados, grisalhos, curtos e desalinhados. Na mão um cigarro, digamos, caseiro. É ela.

Durante a corrida, de mais ou menos 20 minutos, ela não me deixa ficar quieta. Pergunta se eu estudo, há quanto tempo, onde, fazendo o quê e como. Onde será que eu moro? Eu gosto de badalar ou de tomar uma cervejinha no final da tarde? O que será que eu penso da lei seca?
Minha mãe faz psicologia? Ela teve uma copiadora em uma faculdade de psicologia por onze anos! Que coincidência! Fechou ano passado por falta de lucro. “Tava uma merda.”
Pára aqui, por favor. É na Blockbuster. Ela não aceita cheque. Eu só tenho cheque. Prometo que coloco endereço, telefone e atestado de óbito da minha avó no verso. “Não é isso, garota, é que eu não tenho conta no banco.”
Depois de trinta segundos de conversa, ela me olha e diz que eu posso preencher o cheque, que ela vai dar um jeito. Aqui não é mais Blockbuster. Virou Americanas Express. “Americanas? Puta, vou parar aqui pra ver se compro alguma coisa!” 
A Meire tem celular. Me passou o número, caso eu precise de táxi, porque ela trabalha de segunda a segunda no ponto do lado da Cásper. Obrigada, Vanessa. 
Obrigada você.
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