You Got to Have Faith

Eli Stone é um advogado que descobre ter herdado do pai um aneurisma que provoca alucinações e pode levar à morte súbita. Aos poucos, vai se dando conta de que um avião voando sobre sua cabeça nas ruas de São Francisco ou George Michael cantando na sala de sua casa não são apenas momentos muito divertidos de seu dia – mas prenúncios do caso com o qual está lidando no tribunal. Ou seja, previsões do futuro.

De posse desta habilidade divina, Eli se torna uma nova pessoa que, com a ajuda de um guru chinês fajuto e uma secretária sem nenhum senso de subordinação, passa a usar estas visões como ferramentas para ajudar os clientes que o procuram. É disso que trata a primeira temporada de Eli Stone, encerrada no começo deste ano nos Estados Unidos.

Como demorei um pouco para tratar do tema, já estamos no segundo ano da série. E é nele que Eli completa seu ciclo, conquista a recompensa das sementes que plantou na primeira etapa desta história.

Aqui Eli se recupera da cirurgia que ele havia feito no final do ano de estréia para retirada do tal aneurisma. Três meses após a operação, nenhuma visão ainda o atormentou. E, surpresa, ele está sentindo falta de uma doença no cérebro que pode matá-lo a qualquer momento.

Tudo porque sua vida voltou a ser como era antes. Sem emoção, sem grandes discursos no tribunal que, ele tem certeza, impedirão que uma pequena comunidade chamada Silver Terrace seja atingida por um terremoto arrasador. Agora ele precisa lidar com o enfado cotidiano das burocracias no trabalho, as ruas que não são palcos de megaconcertos à luz do meio-dia, os motoristas de ônibus que não saem dançando por aí.

Sim, essas criaturas existem. Pessoas que ocupam os minutos dos nossos dias com todo o brilho de sua normalidade fosca e sem sentido. Somos nós.

É aqui que Eli Stone lança mão de seu maior trunfo. A normalidade é a verdadeira doença da qual todos nós tentamos nos livrar, o tempo todo. É mais insuportável viver sem ter sua vida reconhecida como única, como especial. As habilidades incríveis de Eli, que voltam após uma traumática experiência envolvendo seu irmão, fazem uma metáfora do super-herói cotidiano.

A falta de superpoderes na vida normal faz necessária a idéia de que cada pequena luta do dia-a-dia tem um significado maior, faz parte de um grande quadro que aos poucos vai se formando.

É por isso que assisto a Eli Stone. Porque nenhuma outra série fala tão bem na necessidade de ficção que todos nós enfrentamos em nossa vida. Nenhum outrto programa diz tão claramente que a realidade é uma grande besteira, uma grande tortura da qual é trabalho nosso nos livrar. Eli me diz todas as semanas como fazer para que isso aconteça. Mesmo enfrentando as conseqüências desagradáveis de ser considerado um maluco, é honra poder convidar George Michael para dançar na sala de sua casa.

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