Mental – Primeira Impressão

Uma boa série é feita de uma coisa essencial: um bom roteiro. O que significa dizer, necessariamente, que todos os personagens precisam saber de onde vêm, para onde estão indo, que obstáculos podem enfrentar no caminho e, tarefa difícil, como me convencer a curtir sua jornada.

É por isso que eu não acredito muito em Mental, que estréia por aqui no dia 3 de junho. A série é a primeira produção da Fox na América Latina em inglês, com distribuição em massa, direcionada para estrear em 35 países, incluindo Brasil e Estados Unidos. Gravada na Colômbia, conta a história de um psiquiatra chamado Jack Gallagher, que tem o poder de entrar na mente de seus pacientes.

Assisti ao primeiro capítulo ontem, em uma cabine da Fox, e é série de um ator só. Isso nunca é bom. Já foi a uma peça de teatro em que tudo parece errado, fora do lugar, mas tem um cara lá no meio que é realmente muito bom? Eu já passei por isso algumas milhões de vezes. Acontece a mesma coisa em um roteiro.

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Uma série, um filme, um livro só é realmente bom se tiver um time de coadjuvantes tão bacana quanto o protagonista. Seinfeld, conseqüência máxima dessa afirmação.

Muito carismático, o ator Chris Vance leva a série nas costas. Na primeira cena, um paciente nu se debate no saguão do hospital, fugindo dos seguranças, bem no dia em que o novo médico chefe está sendo esperado. Quando a situação está fora de controle, um dos homens que até então assistia à cena tira toda a roupa e conversa com o paciente, convencendo-o a se entregar. É o tal doutor Jack que, com uma manobra só, salvou um homem e perdeu o respeito de toda sua futura equipe.

Bacana, mas a futura equipe tanto faz. E, como bem se sabe, não há diálogo que sobreviva quando um monólogo resolveria o problema.

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Uma resposta para “Mental – Primeira Impressão

  1. Nâo considero o roteiro do piloto de Mental ruim. Ele foi formatado para valorizar exclusivamente o protagonista. Nisso ele cumpriu o objetivo cem por cento.

    E valorização no caso nem era em dar base dramática ao próprio doutor, tanto que ele é otimista e “perfeito” até a cena final, onde é exposto um trama pessoal. E de forma superficial.

    A única personagem que tem um contexto apresentado é a doutora Veronika, a que pede demissão. Fala do casamento, da sua carreira etc.

    Com certeza ela é a co-protagonista. Demais personagens são, por enquanto, secundários, e ganharão linha narrativa no decorrer da série para dar opção para a audiência, truque de novela.

    Por essas opções não tem como o roteiro ser acima do mediano. Preferiram não arriscar na saída, deixando pra depois.

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