às musas.

De tempos em tempos, alguma coisa parece que mexe comigo. Tem gente que chama isso de inspiração. Eu chamo solene e respeitosamente de falta do que fazer.

É um daqueles momentos em que você precisa desenhar, precisa cantar, precisa sair dançando por aí. Como não sei fazer nada disso, eu escrevo. O que também faço mal e porcamente, mas sou boa atriz, tenho a pose necessária.

Uma vez um que já foi dos grandes amigos me disse que era um charlatão. Que fingia que sabia muito de teatro – e, para sua sorte, as mulheres que estavam com ele acreditavam. Vez ou outra eu gosto de acreditar que eu também não valho muita coisa e que, ingênua que sou, acredito em mim mesma como próximo gênio da humanidade.

Dizem que é preferível correr atrás da verdade do que viver uma mentira. Eu corro atrás da mentira. O que é bastante contraditório no meu caso, que gosto de pensar que uma das minhas maiores qualidades é a paixão pela autenticidade, em mim e nos outros, pela espontâneidade irrestrita. Dane-se: eu não acredito em realidade, mas acima de tudo na contradição.

Boa idéia, Vanessa: minha próxima história vai ser sobre incongruências da vida. Não espere de mim, no entanto, a coerêcia de terminá-la.

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Uma resposta para “às musas.

  1. Por falta do que fazer é que achamos trabalho! rs

    Desenhar, escrever, pintar, etc é quando trabalhamos por conta própria. rs

    Vlw!

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