Linus Power

Eu prometi para mim mesma que não ficaria inundando este blog de posts sobre Lost, mesmo em sua temporada final. Mas preciso mesmo compartilhar esse nó que está na minha garganta desde dez minutos atrás, quando eu terminei de assistir ao sétimo capítulo, Dr. Linus.

É sobre capítulos assim que a vida deveria ser. Ou a vida de qualquer roteirista. Mostrando a trajetória de Ben fora e dentro da ilha, nas duas realidades paralelas, os autores de Lost constroem uma trama profunda sem cair na fácil armadilha do psicologismo.

O que vemos agora é um homem atormentado, desapropriado de toda a sua segurança, de todo o seu poder, que ainda sofre com a morte da filha, Alex, tragédia com mais de três anos, mas que ainda não o abandonou. Nem por um minuto.

E este é o maior trunfo do personagem em relação a todos os outros. São espectros vazios, que não convencem como seres humanos. Benjamin Linus não. Ele foi do poder ao fracasso empurrado por uma ladeira abaixo. Sofreu em cada minuto dessa viagem, uma dor maldita, latente, que não desaparece, só aumenta. Humana.

O tempo não curou a ferida de Alex. Muito pelo contrário, fez com que Benjamin alimentasse dentro de si o maior combustível da covardia: o remorso.  Foi este remorso que, crescendo a cada dia, transformou a olhos vistos o maior e mais poderoso líder de Lost no homem deplorável e infantil que se apresenta diante do telespectador nesta sexta temporada. O homem complexo, lapidado e irremediavelmente devastado.

E o que explica roteiristas com talento para escrever Ben criando personagens tão fracos quanto todos os outros? A resposta é Michael Emerson, um dos melhores, mais brilhantes e, muito mais do que isso, mais instigantes atores da atualidade. Competente abrindo um pote de margarina, ele eleva a vida de Benjamin Linus a um patamar superior. Presta um tributo a sua trajetória em cada cena, vide a imagem (que nunca vai me sair da cabeça) de Ben explicando para Ilana os motivos de ter matado Jacob.

Na verdade, é mais um tributo à profissão de ator, que agradece em tê-lo como representante. É um consolo saber que, para cada dez Matthew Fox que existem no mundo, um Michael Emerson continua por aí.

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