O retorno de Glee

Depois de quatro longos meses esperando, os fãs da comédia musical da Fox finalmente podem cantar e dançar de novo. E muito bem, aliás. O capítulo de retorno, número 14, é mais musical do que eu esperava. E mais bem trabalhado, e mais bem escrito, e mais gostoso de assistir. Resumindo: Rachel, Will, Finn, Emma e, minha preferida, Sue Sylvester, voltaram em boa forma.

Em Hell-O, Will propõe um recomeço. Os membros do Glee percebem, como o roteirista da série já deve saber há uns bons anos, que todo sucesso é inútil. Na apresentação seguinte, de nada vale se eles já ganharam um campeonato – precisam manter a qualidade, matar um leão por dia. Propõe então que todos tragam ideias de músicas que tem Hello no título.

Enquanto isso, Rachel conhece Jesse St. James, o protagonista masculino da escola concorrente, e se envolve com ele, mesmo sem saber se a aproximação dos dois é só uma manobra de espionagem entre os times. Já Will se depara com uma novidade bastante perturbadora: Emma é virgem, e o relacionamento dos dois não é tão simples quanto ele gostaria de acreditar.

O importante é que o episódio conseguiu manter um bom ritmo com muitas canções e, principalmente, com as piadas politicamente incorretas que me fizeram acreditar na atração desde o princípio. Mas, aqui o ponto negativo, insiste em algumas historinhas bem sem graça, como este bom mocismo de Will.

Na semana passada, aliás, o Conselho de Pais e Mães Norte-Americanos expediu um comunicado deixando claro que não aprova Glee para os adolescentes do país.  Finalmente alguém entendeu o brilho daquele roteiro.

Eu, aliás, tenho muita dó de Ryan Murphy, o criador da atração. Ele tem nas mãos o desafio de criar um entretenimento de qualidade, que agrade em massa quem quer que esteja na frente da televisão, enquanto mantém a certa ousadia e frescor que constavam de seu roteiro inicial. Qualidades responsáveis, por exemplo, pelas tiradas explicitamente preconceituosas de Sue Sylvester, ou sexuais de Rachel, ou homossexuais de Kurt.

Desta mistura, não dá para sair nada tão genial que deveria estar na TV a cabo, nem tão bobo que não mereça o sucesso que tem feito nos últimos meses. Enquanto isso eu fico aqui, contando os dias para o episódio que vai homenagear Madonna, principal expoente da libertação sexual feminina das últimas décadas. Esperando muito politicamente incorreto, muita tirada inteligente. E torcendo para nenhum pudor infantil tirar de Glee a chance de construir um dos episódios mais descarados da TV.

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