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Sendo Erica Strange

Eu tenho muitos problemas com séries de mulherzinha. Todo mundo sabe o que é uma série de mulherzinha. Aquela coisa bonitinha e fofa cheia de sentimentalismos que faz você pensar o tempo todo sobre para onde está indo a sua vida.

Eu gosto de pensar para onde está indo a minha. Mas depois de muitas horas qualquer conclusão se torna uma tragédia shakespeariana, como toda geminiana consegue fazer, e isso pode ser cansativo de vez em quando. Fora que eu acho que nasci com menos estrogênio do que deveria. Não tenho as frescuras que o padrão-mulher hoje em dia exige.

Mas todas estas teorias sobre mim caem por terra quando o assunto é Being Erica, uma das séries mais mulherzinha que eu já vi na vida – e uma das minhas preferidas. Canadense, esta atração está na terceira temporada e o motivo deste post é o seguinte: não para de acertar.

Na nova fase de Erica Strange, nossa heroína – uma mulher comum agora com 34 anos e uma carreira a construir pela frente – precisa enfrentar mais uma vez o medo de controlar a própria vida e levar a nova editora com Julianne, enquanto cura as feridas deixadas por Ethan e parte em busca de um novo romance.

Foi agora nesta temporada, portanto, que eu consegui articular o que me faz realmente amar Erica Strange: o medo. Tudo o que ela quer fazer com sua vida é ser feliz e fazer as escolhas certas. Mas o medo de seguir em frente na maioria das situações é o que segura Erica e faz com que a personagem se torne tão inteligente, tão comum, tão interessante.

O que me aproxima tanto dela, ainda, é momento da minha vida em que eu comecei a assistir a essa série. Eu sinto que os meus últimos três anos foram quase que equivalentes às três temporadas pelas quais Erica Strange passou. Devo ter amadurecido quase tanto quanto ela e passei por desafios e felicidades que não caberiam em um piloto. Tudo isto na companhia daquela que já faz parte da galeria das minhas queridas personagens favoritas.

Being Erica

Eu não gosto de séries de mulherzinha. Porque quase sempre elas são mal feitas. Mas, quando você descobre aquela história deliciosa de se ouvir, que tem tudo a ver com você e seus problemas, que te coloca na tela, que te inspira, te deixa com vontade de ser uma pessoa melhor, valeu a pena os anos assistindo a séries ruins em busca de alguma pérolazinha no meio do lixo.

Eu descobri de Being Erica, indicada por uma amiga. E me apaixonei completamente. Erica é uma mulher de 32 anos que não entende porque sua vida ainda não deu certo. Tudo o que ela quer é fazer a escolha certa, mas parece que nunca conseguiu. Na hora de escolhero emprego, o namorado, a faculdade, os amigos, o lado em uma briga. Tudo sempre pareceu a escolha errada algum tempo depois.

Numa época especialmente crítica da vida dela, Erica conhece o Dr. Tom, um psicólogo diferente: ele tem o poder de mandá-la de volta para os grandes arrependimentos de sua vida, para que ela tenha a oportunidade de mudar o que quiser em suas decisões.

beingerica

Erica volta, mas nunca consegue mudar muita coisa. Por mais que lute contra seu destino, não vence. Porque a escolha que fez na época foi simplesmente a melhor possível, com tudo o que tinha a seu alcance. O simples fato de Erica ter essa vontade incontrolável de ser uma boa pessoas, de ser feliz, já faz com que ela cumpra metade do caminho.

À medida que vai andando entre suas memórias, Erica vai se tornando uma pessoa melhor, mais madura. E me fazendo querer crescer com ela. Erica é minha nova paixão.

O vídeo lá em cima é um trailer da série canadense, exibida por lá pela emissora CBC. Abaixo, a cena em que Erica volta para a faculdade, arrependida por não ter conseguido recitar o único poema de sua autoria na frente de um importante professor. Essa última é fantástica, acredite: