Dexter – O Retorno

Quem acompanhou a quarta temporada de Dexter, sabe do que eu estou falando: o final daquele último episódio foi das coisas mais arrebatadoras que eu já vi na televisão. Não foi a morte, não foi o acontecimento, foi o jeito como todas as peças se encaixaram para fazer de um homem já desajustado, um irremediado, um acuado sem saída pelas circunstâncias.

Por isto, fui com toda sede ao pote que era o início da quinta temporada quando [prepare-se, este texto está cheio de spoilers] o personagem de Michael C. Hall teria que lidar com a morte de Rita nas mãos de seu inimigo mais intrigante, o Trinity Killer. E não me decepcionei.

O que Dexter vai fazer agora? Como um homem sem sentimentos e emoções vai lidar com a mais humana das situações, a morte? O desespero nos seus olhos por não saber o que fazer e, pior, não saber o que esperavam dele, foi um dos grandes pontos da atuação de Michael que, eu imagino, se tiver a boa ideia de inscrever este capítulo nas premiações, não vai sair perdendo.

Em determinado momento do episódio, Dex é humanizado. Ele percebe que tem emoções, que não está completamente anestesiado em relação a tudo aquilo, quando se descontrola e mata, sem seguir todo seu ritual, sem lidar com todos os mandamentos, um homem que o irrita em uma loja na beira do porto. Este foi só o começo. O que pode parar um homem que não tem nada a perder?

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Modern Family – The Kiss

É disso que eu estou falando, criançada. Comédia não precisa ser um monte de frases bobas e piadinhas manjadas de sitcom juntas. Ela pode ser também Modern Family.

A melhor comédia do ano segundo o Emmy continua a melhor comédia do ano e só consegue se superar. A estreia da segunda temporada foi boa, sim. Mas o segundo episódio foi um dos melhores da série até hoje – e não sei se vai ser muito fácil de superar.

The Kiss trouxe o primeiro beijo de Alex e, mais importante, o problema de Mitchell com demonstrações de afeto em público. Era uma queixa antiga de alguns fãs da série que o casal gay ainda não havia se beijado em cena, mesmo depois de uma temporada inteira de mais de 20 episódios. Enquanto isso, os demais casais da atração já haviam protagonizado diversas cenas de beijo.

Durante o capítulo, nós descobrimos que esta é uma reclamação de Cameron de longa data – seu parceiro nunca consegue beijá-lo em público, e a situação já está ficando insustentável. Um jantar em família acontece na casa de Gloria e Jay, o assunto surge e eles constatam que as dificuldades de Mitchell com intimidade não são de hoje, da falta de afeto que recebeu de seu pai quando era criança. Jay tenta reparar as coisas, dá um beijo em Mitchell e, em seguida, parte para sua outra filha, Claire.

Enquanto Claire e Jay se beijam em primeiro plano, no fundo da tela, você consegue ver Mitchell e Cam trocando um beijo carinhoso – mas não daqueles de cinema com línguas para todos os lados. O tão esperado, o tão falado, o tão comentado beijo gay de Modern Family. Foi isso, uma cena de poucos segundos no canto da tela. Ou como disse o jornal NY Times, um beijo que, se você piscar, perde.

E eu não me incomodei com isso. Para falar a verdade, achei o modo como eles trataram do assunto de uma delicadeza, de uma genialidade e de uma simpatia que me comoveram. Afinal de contas para que colocar o beijo gay no centro das atenções? Porque é gay? Só pensar assim já soa como um insulto aqueles que defendem a igualdade para os homossexuais.

É como se o que os roteiristas de Modern Family quisessem dizer com isso fosse o seguinte: a maior demonstração de respeito e consideração que nós poderíamos ter com essa questão é tratar Cameron e Mitchell como um casal normal, porque não há nada de anormal com eles.

Mitchell é um homem mais discreto, como existem milhões de héteros por aí. Cam é a drama queen que nós conhecemos e aprendemos a amar. O único problema que eles tinham era uma incompatibilidade boba que pode acontecer com qualquer casal. E assim segue a vida. E assim segue Modern Family. Brilhante, acima de tudo, na sua maturidade.

[First Look] Lone Star

Se tem alguma coisa que tem o poder de me deixar irritada é uma série boa enfrentar o cancelamento prematuro por conta da falta de capacidade do público norte-americano de entender o que  está se passando na sua frente.

(Não que o brasileiro possa falar muita coisa. A TV aberta daqui nem se arrisca a produzir produtos de qualidade do nível deste que despertou minha raiva desta vez, mas eu nasci rabugenta assim, vou criticar mesmo. Não gostou, procure um blog mais colorido e feliz. Certeza que tem vários por aí.)

Lone Star. A história de um jovem criado pelo pai, que aprendeu desde criança os segredos para se tornar um golpista de primeira qualidade. Casado por interesse com a filha de um poderoso empresário do petróleo, Bob tem uma namorada em outro estado e leva a vida dupla esperando pela oportunidade de ouro de abocanhar a fortuna do velho (John Voight, diga-se de passagem).

Pois em certo momento de sua vida, Bob se cansa, como o roteiro chega a mencionar, de “ser amado pelo que finge ser”. Quando lhe é oferecido o cargo na empresa do sogro que ele espera há tempos, o primeiro pensamento que vem a sua cabeça é: “E se eu aceitasse mesmo o trabalho?” Ou seja, o que aconteceria se ele resolvesse levar uma vida decente?

O problema é que seu pai, cúmplice na empreitada, não vai aceitar de bom grado que o filho desperdice todo o trabalho que os dois tiveram nestes últimos meses. O pai não conhece vida honesta, e não acha que valha a pena que seu filho a conheça também.

Drama bem montado, cheio de personagens interessantes, com fortes motivações para resolver seus conflitos, atores preparados, direção criativa e sagaz. Resultado? Foi cancelada nesta semana, depois de apenas dois episódios exibidos.

O capítulo de estreia alcançou 4 milhões de telespectadores no canal Fox, uma emissora acostumada a bater sempre na casa das dezenas. Triste, muito triste. Mas fica aqui minha homenagem. Adoraria ter acompanhado a jornada de Bob em busca de sua dignidade pelo menos por uma temporada completa.

[First Look] Mike and Molly

Comédias românticas existem milhares por aí. Só neste ano, canais norte-americanos encomendaram pelo menos quatro, e todas elas sem muitos diferencias para colocar na frente do telespectador. Mas uma delas me chamou a atenção.

Um casal de gordinhos solteiros se conhecem no grupo de apoio para pessoas que querem emagrecer. Engraçados, espirituosos e, até certo ponto, bem resolvidos, os dois vão se conhecendo, ultrapassam aquela barreira do primeiro contato, a primeira conversa, o desafio de chamar para sair.

Esta é a história de Mike and Molly. Engraçada, divertida e, o mais relevante neste caso, cheia de frescor, a série tem o mérito de contar com bons atores. Sua atriz principal, para começar, é Melissa McCarthy, a eterna Sookie de Gilmore Girls. O que torna os momentos românticos – sim, a série é bem doce, fala de romance, e vai tocar mais os apaixonados – ainda mais gostosos.

Como mérito adicional, ainda tira os gordinhos do papel de eterno melhor amigo do protagonista, ou alívio cômico em que todos jogam suas piadas, para o lugar principal da história, e encara isso de uma forma natural, sem tantos estereótipos.

O roteiro faz piadas, é claro, com os quilinhos a mais de Mike e de Molly, mas não faz disso o grande e insolucionável problema de suas vidas. Gostei, achei divertida, vou acompanhar. Palavra de gordinha apaixonada.

[First Look] Hawaii Five-0

Eu não gosto de séries investigativas. Pelo menos não de qualquer uma. Assisti durante pelo menos dez anos CSI, o original, claro (existe outro?), e segui os passos de Gil Grissom pelo submundo de Las Vegas. Mas pronto, acabou a era Grissom, acabou meu interesse.

Apesar de amar romances de suspense – Agatha Christie, minha musa – não vejo tanto interesse em acompanhar a mesma história todas as semanas, com poucos elementos a mais ou a menos, e pouca imaginação.

Pois Hawaii Five-0, remake da clássica, é uma exceção à regra. Pouco burocrática, ela aposta na boa química entre os personagens, e investe nas cenas de ação sem ser previsível. Até Alex O’Loughlin, de Moonlight e Three Rivers, conhecido pela pouca habilidade na frente das câmeras, consegue surpreender.

Se você não acompanhou a estreia do primeiro episódio na semana passada, melhor prestar atenção. Assista ao trailer abaixo:

Harry’s Law – Minha nova aposta

Não é segredo para ninguém que Boston Legal, como eu escrevi aqui, é uma das minhas séries preferidas de todos os tempos, certo? Por isto a minha estreia mais esperada para os próximos meses não é nenhuma dessas que todo mundo anda comentando por aí. Mas a nova criação de David E. Kelley, o mesmo que deu vida a Alan Shore e Denny Crane.

É Harry’s Law, ainda sem data para estrear, uma dramédia sobre uma advogada que se enjoa de cuidar de causas tributárias porque, nas palavras dela, depois de 32 anos no ramo, descobriu que era chato. Aproveite o trailer, que já é bem divertido.

[First Look] O episódio piloto de Hellcats

Uma série da CW, a emissora adolescente norte-americana por excelência (ou nem tanta excelência assim), sobre líderes de torcida. O prato está pronto, daqueles que você pede já sabendo exatamente o que vai encontrar. Não tem como se enganar com uma série assim. Aqueles que já começaram xingando a atração que estreou na última semana no Estados Unidos ou não leram a premissa ou não entenderam direito.

É uma série fútil, é uma série bem superficial, tem como principal atrativo garotas agitando pompons e caras saradões exibindo corpo e força de ginastas. E é apelando para o aspecto visual que a série quer atingir seus telespectadores, o típico público adolescente norte-americano. Até aí, ok. Eu não compartilho da ingenuidade de quem acha que a cultura deveria abrir mão do mercado e se dedicar a produtos, digamos, cults – os de fino trato que ninguém entende.

Mas Hellcats passa os 40 minutos de seu episódio piloto oferecendo tramas pobres, soluções fáceis, caminhos que deixam a credibilidade de qualquer roteirista abalada. Até as atuações acompanham o movimento raso do script. Sem muito material para trabalhar, atrizes com mais tino para a coisa (e com um bom timing de comédia) ficam sem ter para onde correr. É o caso de Ashley Tisdale, a ex-High School Musical que muitas vezes é injustiçada pelo crédito. Ela é uma boa dançarina, e uma boa comediante. Mas bem mal aproveitada aqui o que já está se repetindo em sua carreira.

Audiência é, sim, o objetivo maior da televisão, já que a principal função dela é gerar lucro. O problema é que, como qualquer empresa, a CW também tem compromisso com seus clientes. No caso, os telespectadores. Uma empresa séria no ramo faz, sabe o quê? Bate a cabeça para achar um roteiro que, além de entreter e prender o telespectador, ofereça algo um pouco mais desafiador do que uma saia curta ou uma barriga tanquinho.